Crimes aumentam no Mato Grosso e apontam falha em Plano de Ações
Os índices sobre a criminalidade em Mato Grosso têm aumentado cada vez mais e apontado as falhas no Plano de Ações (PAS) para a Segurança, lançado pelo governador Silval Barbosa (PMDB) em 13 de abril desse ano. O peemedebista assim que assumiu a vaga deixada por Blairo Maggi (PR) no Executivo Estadual lançou o PAS de Segurança e Saúde, programas que deveriam ser a referência de seu governo. O chamado PAS da segurança parece não estar surtindo os efeitos esperados, e crimes como homicídios e assaltos a postos de gasolina têm sido frequentes.
O PAS foi a alternativa encontrada pelo atual governador para amenizar o fiasco deixado pela gestão de Maggi na área da segurança. Silval prometeu efeitos imediatos do Plano e disse que reativaria os batalhões de Trânsito, Meio Ambiente e as Rondas Ostensivas Tático Móvel (Rotam). Até agora, apenas a Rotam foi acionada.
O comandante da Polícia Militar, Coronel Osmar Lino Farias, em entrevista ao PnB Online disse que ainda é cedo para avaliar os resultados do PAS. “Ainda não tem como fazer uma análise, mas está tendo efeito. Tem apenas três meses que o PAS está funcionando e, nesse tempo, diminuímos o número de roubos de carros e motos. E, agora em julho, diminuíram os homicídios”, disse ele.
O Coronel Farias fez um comparativo com os números de homicídios do ano passado e explicou porque eles não diminuíram de forma considerável. “Foi detectado um aumento, mas um aumento pequeno. Isso aconteceu porque os donos de bocas de fumo começaram a eliminar os viciados devedores. De todos os homicídios, apenas quatro não tinham envolvimento com o trafico de drogas”, disse ele.
Estatísticas da Polícia Civil provam falhas
A Polícia Civil, que em seu site divulga com detalhes os números de cada tipo de crime em Cuiabá e Várzea Grande, aponta um crescimento de aproximadamente 10% em homicídios. Em 2009, 96 pessoas foram mortas no primeiro semestre. Já em 2010 foram registrados 105 homicídios. Em Várzea Grande não foi diferente. Em 2010, 54 pessoas foram assassinadas, enquanto que em 2009, registrou-se 43 homicídios.
As estatísticas sobre roubos seguidos de morte de janeiro a junho desse ano continuam iguais ao apontado no mesmo período do ano passado. Em Cuiabá foram registrados quatro casos e, em Várzea Grande, cinco em 2009, quatro em 2010.
Roubos de carros e motos tiveram considerável aumento nas duas cidades. Aproximadamente 25%. Em 2009, Cuiabá e Várzea Grande tiveram 625 casos. Em 2010, foram 851 registros.
A situação é de insegurança entre os donos e funcionários dos postos de combustível de Cuiabá. Humberto Miranda, dono de cinco postos na capital, afirma que os assaltos têm se tornado cada vez mais frequentes. Em apenas um mês, um dos estabelecimentos foi assaltado 12 vezes. Indignado, ele afirma que já não procura as delegacias para registrar boletins de ocorrência. “Registrar o boletim é perder tempo. A Polícia Civil de Mato Grosso não funciona, porque não há investigação. Já registrei muitos boletins, mas nunca tive resposta”, afirmou Humberto.
Diante da situação, os empresários têm sido obrigados a investir cada vez mais em segurança privada, como forma de intimidar os assaltantes. É o caso de Paulo Emboava, dono de uma rede de postos de Cuiabá, que gasta R$ 25 mil por mês em segurança. Ele afirma que, mesmo diante dos investimentos em segurança, os postos continuam sendo um dos alvos preferidos pelos bandidos.
O Sindicato do Comércio Varejista de Derivados de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis de Mato Grosso (Sindipetróleo) realizou um levantamento para verificar a freqüência com que os delitos ocorrem. Foram entrevistados 29 empresários e gerentes que afirmaram terem sido assaltados 101 vezes em 42 postos. Os números são referentes ao primeiro semestre de 2010.
O Sindipetróleo reconhece que a falta de segurança não é uma questão exclusiva dos postos de combustível e acredita que as autoridades precisam se empenhar mais para inibir este tipo de crime. De acordo com a assessoria de comunicação, o sindicato já entregou à polícia alguns relatórios sobre os assaltos aos postos e, para evitar tragédias, tem intensificado os pedidos para que os funcionários não reajam quando forem abordados por assaltantes.
Em entrevista ao PnB Online, o presidente do Sindicato, Aldo Locatelli, disse que a atuação do Estado na área de segurança pública tem sido lenta. “Vejo que o governo do estado poderia ser bem mais atuante nesse sentido. Estamos sendo assaltados, seqüestrados e passamos por situações inacreditáveis. Isso não pode persistir”, afirmou.
Locatelli disse ainda que o sindicato irá preparar novos relatórios para serem entregues às autoridades e que o advogado da instituição estudará as medidas judiciais que podem ser adotadas para cobrar uma ação mais eficaz por parte do estado.